Ponte Vecchio- Florence-Italy
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Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queria nada
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo ou um pouco mais,
se puder ser,ou até se não puder ser...
(Fernando Pessoa)
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Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queria nada
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo ou um pouco mais,
se puder ser,ou até se não puder ser...
(Fernando Pessoa)
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Olá!
Os dias do lado de cá tem sido oras com muito sol,oras com uma chuva torrencial.Com a chegada do outono,espera-se que essas nuances exageradas estabilizem-se.Eu só temo pelo frio,porém enquanto ele não chega vou aproveitando os dias lindos que em sua maioria do tempo tem feito.O trabalho continua intenso de modo que nem dá tempo muitas vezes de fazer coisas mínimas que eu gosto e também algumas outras, que por vezes não são tão agradáveis mas são quase que obrigatórias.Enfim,em meio disso tudo vim deixar um poema do Pessoa que adoro e que está vinculado ao meu estado de espírito de agora (já em minha casa,devidamente instalada),já que hoje eu tive um dia daqueles (do tipo que dá vontade de chutar o balde e mandar tudo para a #&%@*%!) e ainda bem que nesses casos eu sempre respiro e conto até 10 antes de qualquer coisa e sigo adiante.
Deixo acima a imagem que vi num site qualquer de viagens de um dos lugares que estou me programando para ir em breve e sempre que olho para as fotos que coletei,lembro que eu tenho que aguentar firme as dificuldades de agora porque eu tenho uma série de objetivos que quero e vou sim cumpri-los.
No mais meus amigos e amigas queridas aproveitem cada segundo,pois o tempo está louco e corre depressa,ainda ontem era Natal e estamos caminhando já para a Páscoa e enquanto estivermos vivos devemos curtir cada segundo e principalmente as coisas boas que ainda existem.
É o que eu inesgotavelmente faço.
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Só mais uma para o caminho, uma taça de tempo encantado, sortilégio das almas cansadas, as que cantam com olhos vermelhos:
"Somos sombras pelos espelhos das cidades".
Só mais uma para o caminho, um troca de beijos às cegas, uma nova promessa gigante, uma dança de urgências na branda violência deste amor alucinado.
Só mais uma, pede duas, pede tudo que tudo é de graça, faz o pino, tropeça na praça, esquece a raça, o governo:
o inferno é mais honesto, talvez mais terno, que a indiferença.
Fica um pouco mais que eu já estou quase bom, que hoje o dia doeu fundo, mas gosto ainda do mundo.
Mais uma pró caminho...
***
FELIZ HOJE!!!!
BEIJOS,ABRAÇOS E MUITOS CHEIROS!!!!
P.S:Nem sabia que hoje é dia da poesia e ao escrever isto fiquei olhando as atualizações da blogosfera e soube.Leio poesias/poemas desde pequena e AMO.O texto do Pessoa então veio a calhar.Quanto a canção...é uma daquelas que se escuta bem inspirada e eu também adoro.







8 comentários:
Gosto muito de Pessoa e deste poema em particular, como gosto de JP Simões, que vi há tempos em concerto.
Bjs
Bom fim-de-semana. :)
Um post cheio de coisas boas.
Poesia,imagem, música e uma mensagem muito positiva.
Por aqui começou a Primavera! :)
beijinho
um poste com tudo bem escolhido....
:)
Ô dona moça! kkkkkk
Pois é, tem dias que se não contarmos até 10 chutamos o balde e ai tudo pode ir pras cucuias... kkkkkkk
Imagino uma baiana retadamente baianíssima (né redundante não, né? kkkk)chutando o balde ou melhor, rodando a baiana, aimôpai! Quem quiser que saia de baixo para não receber a galinha pulando! Né não? kkkkkkkkkkkkkkkk
Ei tá desejando muito ainda? kkkk
Vai num abará, num acarajé, num peixe frito, num caldo de lambreta, numa moqueca de peixe com pimenta malagueta, numa cocada ou queijada de coco, num vatapá, num efó, num caruru, numa farofa de dendê... kkkkkkkkkkkkkk
Tá de água na boca é? kkkkkkkkk
Sua menina, se rete tanto não, deixa as águas rolarem... kkkkk
Com vontade de ir a Itália, é? Oi que bom! Vá mesmo, curta!
Ei a nigrinha, bom, a nigrinha há anos que corro atrás de lá ela e lá ela se faz de desentendida, pode? kkkkkkkkkk
Tá rebocado, piripicado tô é lenhado, fia! kkkkkkk
Por causa de lá ela vou me enforcar num pé de alface, viu? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Gosto da música de Bievenido Granda? Seu pai tinha bom gosto, ouça os bolerões desse cubano que marcou época nos anos 60/70.
Eu que morava na maré, nas pontes, só ouvia no serviço de alto falante São Lázaro que existia lá. Esse foi o meu aprendizado em música! kkkkk
João Palafitas
Acordou, escovou
os dentes com carvão,
olhou a mesa, pratos vazios...
Ruminou com os olhos a fome.
Abriu a janela, viu
um sol nascente mirrado,
mas que enche bocas vazias,
dependurado nos caibros...
Rogou aos céus!
Passou pó de pemba no peito,
colocou o patuá no pescoço,
fechou o corpo!
Apanhou o velho gereré,
chamou por Ogum de Ronda
e desceu para a maré.
Foi mariscar...
Papa-fumo,
canivete e rala-coco.
Siris magros,
caranguejos e aratus.
Não acreditou!
Passou as mãos nos olhos,
viu a fonte do seu alimento,
sem ao menos lhe darem
outro meio de sustento
aterrada pelo lixo
da noite para o dia!
Chorou nas mãos
toda a sua agonia...
Enquanto,
ratos, baratas e urubus
faziam a festa, sorriam!
Ainda restava
um penico de maré.
Não pensou duas vezes:
no gereré rasgado
deu algum nó
e pescou magros baiacus.
Tinha ali o seu pôr-do-sol!
Subiu as pontes,
passou no boteco,
cacete-armado de Tonho de Zene,
pediu uma e deu para os santos,
depois, tomou três poca-olho.
Saiu mambembe,
revirando os olhos, zarolho...
Chegou no barraco, sem tirar as tripas,
feliz, jogou na panela os baiacus!
Danação de fome... Aferventados,
encheu o prato, agradecido,
fez o sinal da cruz!
Chamou para dentro o alimento,
enganou ali todo o sofrimento...
Deitou, dormiu por breve momento,
sonhou com uma vida melhor,
com a primeira namorada,
como seriam os filhos ali
sem escolas, sem horizontes,
só lixos, ratos e baratas por todos os cantos
e nenhuma felicidade por encanto.
Bateu escuridão! Acordou,
com o serviço de alto falantes
São Lázaro tocando: “Eu não
tenho onde morar...”
Deu caruara, guenzo
correu para o penico,
o corpo trêmulo, suava!
Ainda tomou um chá de velame
para rebater o veneno dos baiacus
que lhe tinham saciado a fome.
Deu vexame!
Colocaram o corpo moribundo
no carrinho de mão,
correram pelas pontes
Santo Antonio e Copacabana
em busca de socorro.
Chamaram Dona Joana rezadeira.
Ela, com três galhos de guiné
e um dente de alho macho
rezou o corpo de João
pensando que era mal olhado...
Tarde demais!
João, ainda, semi-inconsciente,
Pensou em Gilda sua namorada,
no terreiro de Candomblé, era corujebó,
na roda de capoeira, nos pais,
nos amigos de infância,
no ano novo chegando,
na mesa farta que nunca teve
e em uma vida melhor com esperança.
Deu o último suspiro,
ficou tudo na lembrança...
Nas rodas de capoeiras
o luto dos beribaus,
nos terreiros,
o silêncio dos atabaques!
Nos barracos pendurados
um céu cinza nos olhares...
Deus sabe!
O Sibarita
Deep:
Obrigada pela visita.Gosto muito do J.P. Simões ele tem umas letras bem apanhadas,e Pessoa é daqueles que me acompanham desde sempre.
:-)
Beijos!
Fê Blue Bird:
Obrigada!A inspiração vem e aí temos que partilhar para que ela permaneça não é?E sim a primavera e especialmente o verão moram dentro de mim,embora do lado de cá tenha chegado o outono.Adorei seu comentário!
;-)
Beijinhos!
O Sibarita:
Essa semana um amigo meu baiano também e músico me disse a mesma coisa,que quem quiser que atravesse o caminho de uma baiana rodando a baiana que receberia a galinha pulando e eu ri muito kkkkkk,porém não deixa de ser verdade.
Vixe,esse menino continuo desejando sim...mas,foi alarme falso viu?sossegue!Deixe estar que vou comer uma ou duas dessas delícias que citou(que abusado!me deixando com água na boca!)já,já.
Vou me retar não,realmente não vale a pena...de repente posso dar um 'tangolomango' né não?aí a zorra pega.
Sim,estou me preparando para ir a Itália.Tá mais barato viajar pra fora do que aqui dentro,esse negócio de copa quebrou a banca e não vai ser dessa vez que vou conhecer os lençóis maranhenses,prefiro ir pra Itália e darei um pulo bem esticado em Portugal.
A nigrinha é desentendida é?huuuuummmmm abre o jogo!Oxente!quem sabe ela seja tímida só está esperando por isso? óia...não se enforque no pé de alface nem se jogue do Elevador Lacerda,se declare pra ela,penso que você vai se dar bem...rai ai
;-)
Sim,a canção meu pai gostava e dançava e em casa tinha um monte de disco de bolero,muito bom!
Morava na maré é?a madrinha de mainha morava na maré e fazia uma moqueca inesquecível,uma coisa da minha infância que me lembro é a casa dela,de madeira em cima das águas...Ia lá sempre com minha avó..uma boa lembrança.
Esse menino,gostei muito do seu texto.Você mariscava também?Conhece os tipos de marisco...minha avó falava desses porque ela nasceu/cresceu em aldeia de pescadores em Itapuã.É fio temos histórias 'vúh'?
Beijos!
Piedade Araujo Sol:
Que bom que gostastes!Fico feliz!
=D
Beijinhos!
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